Começa-se por contar: quantos doentes estão em lista, há quanto tempo, qual é o tempo máximo de resposta garantido e qual é a capacidade cirúrgica atual. Em seguida, identifica-se a causa: falta de tempo de bloco, taxa de cancelamento elevada, referenciação excessiva, falta de anestesistas? Sem este diagnóstico quantificado, qualquer solução é um tiro no escuro.
O diagnóstico traduz-se em ação: redesenha-se o circuito pré-operatório, cria-se uma consulta de preparação dedicada três semanas antes da cirurgia, redistribui-se trabalho entre a equipa médica e a enfermagem. São escolhas concretas — quem faz o quê, com que tempo de agenda, com que protocolo.
A direção manifesta-se na forma como a mudança é comunicada e liderada: explicar à equipa porque se está a mudar — com dados, não impressões — ouvir objeções, incorporar sugestões, e manter o compromisso quando os primeiros meses forem difíceis. Sem isto, o circuito redesenhado existe no papel e não no terreno.
Ao fim de três meses, a taxa de cancelamento é reavaliada. Se desceu, padroniza-se o novo circuito e mede-se a redução da lista de espera. Se não desceu, o ciclo recomeça — com nova análise da causa, novo desenho organizacional, nova comunicação à equipa.