Localizar o problema na configuração de Mintzberg

A tipologia das cinco configurações de Mintzberg, vista no esquema anterior, é descritiva por si só — diz-nos como as organizações estão estruturadas. Mas ganha um valor prático radicalmente diferente quando se converte em método de diagnóstico para problemas concretos. O diretor de serviço que tenta resolver um problema na parte da organização onde ele se manifesta — e não na parte onde a solução reside — gasta energia no sítio errado. Esgota-se a si próprio e à equipa antes de chegar onde poderia, efetivamente, intervir.

A intuição é simples mas frequentemente subestimada. Numa burocracia profissional como o hospital, as cinco partes da organização — vértice estratégico, linha hierárquica intermédia, centro operacional, tecnoestrutura, pessoal de apoio — operam com lógicas diferentes, ritmos diferentes e mecanismos de decisão diferentes. Quando um problema aparece numa parte mas a sua solução reside noutra, a forma como o diretor escolhe intervir pode ser a diferença entre resolver e repetir.

«The diagnostic value of typologies lies not in their descriptive accuracy but in the questions they force us to ask before acting.» Adaptado de Henry Mintzberg, Mintzberg on Management (1989)
1

Em que parte da organização vive este problema?

2

Em que parte da organização vive a solução?

3

Coincidem? Frequentemente, não.

Quando a resposta à terceira pergunta é «não» — e frequentemente é não — o diretor de serviço que tenta resolver o problema na parte da organização onde o problema se manifesta gasta energia no sítio errado. A solução não está lá. Esta é uma das observações mais úteis que a tipologia de Mintzberg oferece à prática quotidiana de gestão clínica — e raramente está nos manuais de gestão hospitalar.

Escolha um problema típico para diagnosticar:
Vértice estratégico Linha hierárquica intermédia Centro operacional médicos, enfermeiros, técnicos Tecno- estrutura qualidade · SI Pessoal de apoio limpeza · manut. selecione um problema acima para ver o diagnóstico visual
parte onde o problema vive
parte onde a solução vive

Diagnóstico do problema selecionado

↪ Onde aparece
↪ Onde está a solução
↪ Coincidem?

Três padrões frequentes de mau endereçamento

Quando reconhece estes padrões, está perante problemas de configuração — não de competência.

↪ Padrão 1 · Resolver no centro operacional o que vive na tecnoestrutura

O médico tenta corrigir manualmente, doente a doente, falhas que decorrem de um sistema de informação mal desenhado. Esgota-se a corrigir individualmente o que precisaria de ser corrigido sistematicamente. A solução exige intervenção na tecnoestrutura — mas aparece no centro operacional como sintoma diário.

↪ Padrão 2 · Pedir ao vértice estratégico o que precisa de ajuste no centro operacional

O diretor de serviço escala para o conselho de administração problemas que a equipa clínica resolveria internamente se tivesse autorização ou tempo dedicado. O CA não pode resolver porque o problema não vive no nível em que ele opera — mas o diretor não percebe que está a pedir intervenção no sítio errado da arquitetura.

↪ Padrão 3 · Tratar como técnico um problema que vive na linha hierárquica intermédia

Conflitos entre serviços — a solução exige negociação entre direções, mas o diretor tenta resolver no plano clínico. Os doentes individuais reaparecem com o mesmo problema porque o que está partido é a articulação institucional, não a clínica de cada caso.

Aplicação prática: escolha um problema atual do seu serviço — preferencialmente um que tem resistido a tentativas anteriores. Aplique as três perguntas antes de planear nova intervenção: «em que parte da organização aparece este problema? Em que parte está a solução? Coincidem?» Se a resposta à terceira pergunta é «não», a sua intervenção precisa de ser multi-localizada: agir onde o problema aparece (para conter o sintoma), mas sobretudo agir onde a solução vive (para resolver a causa). Frequentemente isto significa subir, descer ou atravessar a estrutura — e o instinto natural é resistir a isso, porque exige sair da zona de conforto onde se tem autoridade direta. O custo de evitar o esforço de endereçamento é repetir o problema. O custo de o fazer corretamente é uma única intervenção bem dirigida.