mede em unidades clínicas naturais
Entre duas formas de obter o mesmo tipo de resultado, qual custa menos por unidade?
Opções com o mesmo desfecho. Dois fármacos para a mesma doença, na mesma escala.
Intervenções com desfechos diferentes. Não arbitra entre "internamento evitado" e "crise prevenida".
Fica presa ao seu próprio desfecho — fora dele, não tem voz.
mede em QALY — quantidade × qualidade
Entre intervenções em doenças diferentes, qual produz mais saúde por euro?
Quase tudo dentro da saúde. Uma artroplastia e um tratamento de saúde mental, na mesma régua.
Saúde contra não-saúde — sem limiar externo. Com um limiar de disposição a pagar por QALY (ex.: NICE), a fronteira pode ser atravessada implicitamente.
Comprime experiências ricas num único número e é distributivamente cego.
mede tudo em euros, custos e ganhos
Este investimento vale mais do que o seu custo — e do que qualquer alternativa, mesmo fora da saúde?
Tudo com tudo. Saúde, educação, ambiente, transportes — na mesma moeda.
Pôr um valor monetário em ganhos de saúde — e, no limite, na própria vida.
O preço ético mais alto. Monetizar a vida é poderoso e desconfortável — pouco usado na clínica directa, mas dominante em política de saúde pública.
Quanto mais uma análise consegue comparar, menos consegue dizer sobre o que aquilo significa para um doente concreto. A custo-efetividade fala a língua do clínico, mas só compara dentro do seu próprio desfecho. A custo-benefício compara o universo inteiro, mas numa língua — euros de benefício — que já se afastou da experiência do doente.
Não existe uma análise simultaneamente perfeitamente comparável e perfeitamente fiel ao significado clínico. A escolha entre as três é, no fundo, a escolha de onde se quer pagar o preço.
Não se escolhe a análise por gosto, mas pela pergunta que se quer responder. Duas perguntas decidem.
1As alternativas que compara produzem o mesmo tipo de desfecho, medível na mesma escala natural?
2O que está a comparar fica todo dentro da saúde, ou inclui benefícios fora da saúde?
Quase não monetiza nem comprime a experiência. O seu limite não é ético — é prático: por ser tão fiel ao desfecho concreto, não arbitra entre áreas diferentes, e o sistema vive disso.
Para tornar tudo comparável, reduz vidas inteiras a um número entre 0 e 1. Quem define que qualidade de vida vale 0,7 e não 0,5? O QALY é distributivamente cego — trata um ano ganho por um jovem e por um idoso da mesma forma.
Para comparar saúde com tudo o resto, atribui um valor em euros à vida humana. Métodos como a disposição a pagar tendem a refletir o rendimento. É tecnicamente o mais poderoso e moralmente o mais exigente — daí ser o menos usado quando há um doente concreto em causa. É, contudo, o método dominante em avaliação de políticas de saúde pública e regulação ambiental: a OMS e o Banco Mundial convertem DALYs evitados em euros para comparar programas à escala global.