«Uma cama construída é uma cama ocupada»

Aplicado ao bloco operatório: abrir mais horas de bloco resolve a lista de espera cirúrgica?

A lista de inscritos para cirurgia programada cresce. A resposta mais frequente é reforçar o bloco operatório. A Lei de Roemer prevê que isso pode não resolver o problema — sem alterar o que entra, a nova capacidade preenche-se com a procura existente e latente.
Só expandir o bloco
1
+ 8 horas de bloco por dia (1 dia adicional por semana) Critérios de referenciação cirúrgica: inalterados
2
Casos borderline avançam Indicações que aguardavam em compasso de espera são referenciadas mais cedo
3
Sem alternativas criadas em paralelo Hospital de dia cirúrgico e opções conservadoras não são desenvolvidos
4
Nova capacidade rapidamente preenchida Em 6 a 12 meses a lista estabiliza a um nível semelhante ou superior ao inicial
Resultado
Lista mantém-se — a procura expandiu-se para preencher a oferta
Expandir + reformar o acesso
1
+ 4 horas de bloco por dia (meio dia adicional por semana) Revisão simultânea dos critérios de referenciação cirúrgica
2
Casos borderline redirecionados Alternativa conservadora, fisioterapia ou hospital de dia cirúrgico
3
Hospital de dia cirúrgico activo Absorve casos de menor complexidade; bloco convencional reservado para maior benefício esperado
4
Procura qualificada, não apenas crescente A capacidade adicional é aplicada a quem mais beneficia — não neutralizada por nova procura induzida
Resultado
Lista reduz e mantém-se — a procura foi gerida, não apenas absorvida

* Pressupõe capacidade instalada nas alternativas (hospital de dia cirúrgico, fisioterapia) e governança de acesso transversal — sem isso, o cenário B colapsa no A.

Em Portugal: os inscritos para cirurgia programada no SNS (SIGIC) oscilam há anos entre os 150 000 e os 200 000 episódios, apesar de sucessivos reforços de capacidade cirúrgica. A lição de Roemer é que a capacidade, sem governação do acesso e sem alternativas ao bloco convencional, tende a gerar a sua própria procura.