4 anos × 0,50 de qualidade = 2,0 QALY
O rectângulo verde é o valor real; o tracejado azul é o que seria saúde plena. A diferença entre os dois é a qualidade que a doença subtrai.
Quatro situações humanamente muito distintas. Para o QALY, exactamente o mesmo valor.
Clique em cada situação. Todas produzem 4 QALY — e descrevem, contudo, experiências de vida muito distintas. O instrumento que as torna comparáveis é o mesmo que as trata como equivalentes.
O rectângulo acima muda de forma — mas não de área. Para o sistema de saúde que decide com QALY, estas quatro vidas são indistinguíveis. Para quem as vive, não poderiam ser mais diferentes. Nenhuma das duas afirmações é falsa — e é por isso que o QALY exige ser usado com consciência do que deixa de fora.
Aposta padrão
standard gamble
Que risco de morte aceitaria correr num tratamento que, se resultasse, lhe devolveria saúde plena? Quanto maior o risco aceite, pior se considera o estado actual.
Troca de tempo
time trade-off
Quantos anos de vida trocaria por viver menos tempo, mas em saúde plena? Mais anos a sacrificar = pior o estado em que se vive.
Questionário padronizado
EQ-5D e afins
A pessoa classifica-se em dimensões fixas (mobilidade, dor, ansiedade...) e um algoritmo pré-calibrado converte o perfil num peso. É o mais usado na prática, por ser rápido e reprodutível.
A escala não pára no zero. Alguns estados — sofrimento extremo, dependência total, certos quadros terminais — são consistentemente avaliados pelas próprias pessoas como piores do que a morte, recebendo pesos negativos. Consequência prática: uma intervenção que prolonga a vida num estado assim avaliado pode, na aritmética do QALY, destruir saúde em vez de a criar. É um dos pontos onde a frieza aparente do número toca questões humanas das mais profundas — e um dos motivos pelos quais o número nunca pode decidir sozinho.