Grandes decisões são raras, visíveis e escrutinadas. As pequenas repetem-se, são invisíveis e nunca cruzam nenhum limiar institucional — mas decidem mais do total.
A assimetria do escrutínio
O que está acima da linha de água recebe toda a atenção. O que está abaixo aloca a maior parte dos recursos.
A mesma pequena decisão, multiplicada pelo tempo
Escolha uma decisão que parece trivial — o esquema mostra o que ela se torna quando somada ao longo de um ano
Os números são ilustrativos — mostram a ordem de grandeza, não medem um serviço concreto.
Nenhum destes totais anuais aparece em qualquer relatório — cada decisão foi pequena demais para ser registada, e por isso a soma nunca foi vista.
Trivialidade individual
Cada decisão parece pequena demais para merecer deliberação. É precisamente essa pequenez que a protege do escrutínio.
Ausência de gatilho
Não cruzam nenhum limiar que acione uma comissão, um parecer ou um relatório. Os sistemas foram desenhados para detetar o grande, não o frequente.
Dispersão no tempo
Acontecem uma de cada vez, espalhadas por semanas e meses. O padrão nunca se reúne num momento onde alguém o pudesse ver inteiro.
Agregar. Somar a pequena decisão ao longo do tempo transforma-a: o que por instância parecia desprezível atravessa a linha de água e torna-se visível, deliberável, governável. O mapeamento de processos do capítulo anterior é uma das formas de fazer esta agregação — quando aplicado à agenda e ao percurso do doente, torna estes padrões de consumo de capacidade objecto de análise. O que se torna visível pode finalmente ser escolhido — em vez de sofrido.