0,80 anos × 0,75 de qualidade = 0,60 QALY ganho
ICER = 45 000 € ÷ 0,60 QALY
75 000 € por QALY ganho
Zonas meramente ilustrativas, ancoradas em referências internacionais discutidas no texto. Não correspondem a um limiar oficial português.
O ICER é a inclinação da recta que liga a origem ao ponto. Pontos acima do limiar são mais inclinados — compram saúde a um preço demasiado alto.
A e B acrescentam ambos saúde — mas A compra-a barata, B compra-a cara. A recta abaixo do limiar é custo-efetiva.
O perigo do ICER não está no numerador. Está no que acontece quando o benefício é minúsculo.
Como é um rácio, o valor é dominado pelo denominador sempre que este se aproxima de zero. Quando os QALY ganhos são muito poucos, o ICER dispara para valores enormes — mesmo que o custo seja moderado. E é precisamente nas tecnologias de benefício marginal que o denominador é mais pequeno e mais incerto:
| Custo incremental | QALY ganho | ICER (€/QALY) |
|---|---|---|
| 50 000 € | 1,00 | 50 000 € |
| 50 000 € | 0,50 | 100 000 € |
| 50 000 € | 0,20 | 250 000 € |
| 50 000 € | 0,08 | 625 000 € |
| 50 000 € | 0,03 | 1 667 000 € |
O mesmo custo — apenas o benefício encolhe, e o preço por QALY multiplica-se por dezenas. Perante um ICER muito alto, a questão que importa não é "podemos pagar isto?" — é "qual é, ao certo, o benefício que estamos a comprar, e com que confiança o conhecemos?". O caso do Dr. Artur — 80 000 € e 0,08 QALY — dá um ICER de 1 000 000 €/QALY: o denominador é o mesmo da quarta linha (0,08), mas o custo maior (80 000 € em vez de 50 000 €) empurra o rácio 60 % acima dela.