Alguns bens são não-excluíveis (impossível impedir alguém de os usar) e não-rivais (o uso por um não reduz o disponível para outro). O mercado subproduz estes bens porque não consegue cobrar por eles com eficácia. A vigilância epidemiológica ou a investigação de saúde pública têm esta natureza: toda a sociedade beneficia, mesmo quem não paga.
Os bens meritórios são diferentes: o mercado poderia fornecê-los, mas a sociedade decide que o acesso não deve depender da capacidade de pagar — porque subestimamos o seu valor individual a longo prazo, ou porque a equidade exige garantia universal. Os cuidados primários e as vacinas são exemplos clássicos.
Em muitos mercados, a concorrência pressiona preços para baixo e a qualidade para cima. Em saúde, a concorrência é frequentemente imperfeita ou inexistente: fusões hospitalares, prestadores únicos em zonas rurais, especialidades altamente concentradas. Quando um prestador não enfrenta alternativas reais, pode fixar condições sem pressão competitiva.
Ao contrário dos mercados de consumo, o doente raramente pode «mudar de fornecedor» numa urgência ou numa consulta de especialidade escassa — o que amplifica o poder do prestador. Em contextos de SNS, esta falha justifica regulação de preços e normas de acesso; em mercados privados, justifica vigilância da concentração.