Reunião de coordenação das 09h00 (hipotética)
Do bloqueio à resolução: coordenar o próximo passo
Exemplo de uma reunião às 09h00: três bloqueios, três acções a acompanhar. O quadro distingue o que está confirmado do que é apenas uma previsão. As horas de revisão são ilustrativas: combinam-se conforme a situação e não definem quanto tempo um doente pode esperar em segurança.
- Identificar o obstáculo confirmado
- Acordar a acção e quem a acompanha
- Confirmar a resposta na hora de revisão
- Resolver ou pedir apoio ao responsável previsto
Três exemplos de coordenação
Exemplo 1 · Imagiologia
Relatório de TC necessário para a decisão seguinte
- Confirmado
- O relatório da TC é necessário para decidir o tratamento seguinte e ainda não está disponível. Previsão: «sai durante a manhã» não é um resultado.
- Acção seguinte
- A equipa que aguarda o relatório indica a questão clínica e a urgência. O contacto designado de Imagiologia verifica o estado do relatório e se é possível responder.
- Quem acompanha
- Um médico identificado da equipa requisitante confirma a resposta e interpreta o resultado no contexto do doente. A Imagiologia assegura a elaboração do relatório; a equipa assistencial mantém a responsabilidade pela decisão clínica.
- Revisão (ilustrativa)
- 09h30
- Como confirmar a resolução
- Relatório disponível e revisto, com o plano comunicado.
- Se não houver resposta
- Contactar o substituto definido ou pedir intervenção ao responsável previsto no circuito local, sem esperar pela reunião seguinte. A urgência clínica determina a resposta, não a libertação de cama.
Exemplo 2 · Gestão de camas
Cama desocupada, mas sem condições de recepção confirmadas
- Confirmado
- A cama está desocupada, mas falta confirmar a limpeza e a disponibilidade da equipa para receber o doente. Uma cama vazia não é, por si só, uma cama disponível.
- Acção seguinte
- A coordenação de enfermagem do serviço de destino confirma a limpeza e os recursos necessários para receber o doente. As equipas clínicas confirmam a adequação do destino às suas necessidades. A gestão de camas actualiza o estado, mas não decide a admissão clínica.
- Quem acompanha
- Coordenação de enfermagem do serviço de destino. A gestão de camas regista o estado.
- Revisão (ilustrativa)
- 10h00
- Como confirmar a resolução
- Condições de recepção confirmadas, aceitação pela equipa de destino e passagem da informação clínica necessária à transferência.
- Se não houver resposta
- Não enviar o doente só porque a cama está vazia. Os cuidados mantêm-se na equipa de origem até haver transferência acordada e segura. Pedir apoio à coordenação responsável para procurar uma resposta segura.
Exemplo 3 · Alta
Alta clinicamente possível, apoio domiciliário por confirmar
- Confirmado
- A alta é clinicamente possível, mas o apoio essencial em casa não está confirmado. Alta prevista não é cama disponível.
- Acção seguinte
- A equipa clínica especifica de que apoio o doente precisa. O serviço social ou a coordenação de altas contacta a entidade que pode assegurá-lo e procura confirmar o que consegue oferecer e a partir de quando.
- Quem acompanha
- Um profissional identificado do serviço social ou da coordenação de altas acompanha a resposta e informa a equipa assistencial. A decisão de alta continua a ser da equipa clínica.
- Revisão (ilustrativa)
- 11h00
- Como confirmar a resolução
- Apoio confirmado e plano seguro exequível. O pedido enviado não basta.
- Se não houver resposta
- Discutir alternativas seguras com a equipa clínica, o doente e, com o seu acordo, o cuidador. Pedir intervenção ao responsável local definido para estes bloqueios. A pressão para libertar camas não justifica uma alta sem o apoio essencial.
O ciclo não pára na reunião
Se a resposta não chegar: quem acompanha o bloqueio verifica o que falta, contacta o substituto definido se o interlocutor estiver ausente e recorre ao responsável previsto no circuito local quando não consegue obter resposta. Regista a nova acção e a próxima verificação, sem esperar pela reunião do dia seguinte. Um pedido enviado não equivale a um problema resolvido.
Deterioração ou necessidade urgente: avaliação clínica imediata e mobilização da resposta necessária, sem aguardar as horas ilustrativas.
Confidencialidade: o quadro deve ter acesso restrito e apenas os identificadores necessários ao trabalho das equipas. Nomes e diagnósticos não devem ficar expostos ao público.