Capítulo 10 · Estratégia em Saúde

A estratégia que se planeia não é a que acontece

Henry Mintzberg & James Waters, Of Strategies, Deliberate and Emergent, Strategic Management Journal, 1985.

Arraste a turbulência do ambiente e veja como muda a proporção entre o que se planeou, o que sobreviveu e o que emergiu do terreno — e o que o gestor deve fazer em cada zona.

PRETENDIDA o que se planeou NÃO-REALIZADA EMERGENTE REALIZADA o que aconteceu deliberada
Ambiente moderadamente estável Parte do plano concretiza-se, parte fica pelo caminho, e surgem adaptações não planeadas. A realidade começa a afastar-se do documento — mas não de forma dramática. Exemplo SNS: um serviço que planeou reduzir listas de espera em cirurgia programada e descobriu, a meio do ano, que a variável decisiva era a taxa de cancelamentos — e teve de adaptar o processo de confirmação de doentes.
estável e previsívelturbulento e imprevisível
Do plano inicial, concretizou-se 90% e 10% ficou pelo caminho (não-realizada)
Da estratégia realizada, veio do plano 90% 10% emergiu pelo caminho (não estava no plano)
Frequência de revisão recomendada trimestral

O que fazer nesta zona

Rever o plano

—

Captar o que emerge

—

Adaptar ou manter?

—

Mintzberg, «Crafting Strategy», Harvard Business Review, 1987

«Os gestores constroem estratégias como o oleiro trabalha o barro: com intenção e visão, mas respondendo ao material à medida que se move nas suas mãos. A estratégia não é um plano que se impõe à realidade — é um padrão que se reconhece e se dirige, em simultâneo.» — no espírito de Henry Mintzberg

O que isto significa na prática: gerir estrategicamente não é executar um documento. É manter uma direcção clara enquanto se permanece atento ao que o terreno revela — e ter a disciplina de distinguir o ruído (variação normal) do sinal (algo que exige adaptar a rota).